domingo, 15 de abril de 2012

A triste partida do Rei do Baião




Cinco e quinze da manhã 

Do dia dois de agosto 
Do ano de oitenta e nove 
Houve um terrível desgosto 
De luto entrava o Nordeste 
Com pranto triste no rosto.


As rádios anunciavam 
Morreu o Rei do Baião 
O mestre Luiz Gonzaga 
O popular Gonzagão 
Deixando muita saudade 
Pra esta grande Nação. 


No sertão também se ouvia 
Acauã executar 
Lento toque de silêncio 
E outras aves a chorar 
E mãe deusa da natura 
Do seu trono a soluçar.


E concretizava o luto 
Com sentimento profundo 
Entre todas as gerações 
Por este sofrido mundo 
Em homenagem a Luiz 
O primeiro sem segundo.


Luiz nasceu em Exu 
Agreste pernambucano 
Mil novecentos e doze 
Foi este o sagrado ano 
Que o destino lhe escolheu 
Pra ele seguir bom plano.


Filho doutro sanfoneiro 
Com nome de Januário 
Desde então herdou seu dom 
Uma causa sem inventário 
Isto quando ainda garoto 
Segundo seu comentário. 


Desta forma seu Luiz 
A seu pai acompanhando 
Nos bailes, forrós e feiras 
Seu baião foi ensinando 
E fama na região 
Já estava até ganhando.


Deixou a terra natal 
Ao exército foi servir 
Vindo então pra Fortaleza 
Pra sua missão cumprir 
O que muito lhe ajudou 
E a bons planos fez seguir.


Devido as Revoluções... 
Sempre era transferido 
E nestas suas andanças 
Morou num lugar querido 
Minas Gerais de Tancredo 
O homem nunca esquecido. 


Foi então que conheceu 
Um amigo e companheiro 
Que já servira ao exército 
Naquele rincão mineiro 
Este fora Dominguinhos 
Especial sanfoneiro.


Através desta amizade 
Luiz voltou a estudar 
Dominguinhos professor (*)
E amigo particular 
Que também lhe ensinou 
A modinha popular.


Mas a vida de milícia 
Igualmente a do vaqueiro 
Sempre é solicitado 
Segue outro paradeiro 
Desta forma pra São Paulo 
Seu Luiz seguiu ligeiro.


Na terra dos bandeirantes 
Mudou sua opinião 
Nova sanfona comprou 
Que lhe deu inspiração 
Assim Luiz começou 
Aprimorar seu baião. 


Sendo ainda militar 
Foi pro Rio de Janeiro 
De onde se desligou 
Do exército brasileiro 
E formou a parceria 
Com o Xavier Pinheiro. 


Xavier um português 
Que vinha se apresentando 
Na grande Rio de Janeiro 
Lá no mangue executando 
Valsas, tangos e até fados 
Com Luiz auxiliando 


Este estilo pra Luiz 
Não era o seu verdadeiro 
Pois queria apresentar 
Seu próprio cancioneiro 
A música regional 
E nada do estrangeiro. 

Com isto Luiz Gonzaga 
Se encheu de esperança 
Nos programas de calouros 
Foi cantar com segurança 
Apresentando seus Shows 
Com muita garra e pujança.

Saindo dos auditórios 
No Nordeste apareceu 
A música de seu Luiz 
Porque na sanfona leu 
O sertão em poesia 
Daí então se ergueu. 

O primeiro nordestino 
Num trabalho a se empenhar 
Pra música regional 
No Brasil vir espalhar 
Provando assim a existência 
Da arte mais popular


Desta forma seu Luiz 
Por ter rica criação 
Lançou o xote e o forró 
O xaxado e o baião 
Ficando o arrasta-pé 
Como símbolo do sertão. 

Lançando estas criações 
Fez o zabumba tocar 
Dando ao mesmo mais valor 
Na arte de forrozar 
Também deu vida ao triângulo 
Hoje instrumento exemplar. 

Em pouco tempo o Brasil 
Seu valor reconheceu 
E grupo de seguidores 
Ligeiramente nasceu 
E Luiz Rei do Baião 
Este título recebeu.

O seu valor cultural 
Foi da maior importância 
Pra história brasileira 
Veja a significância 
Pois decantou o Nordeste 
Com jeito e com elegância


Foi quem mais reivindicou 
Melhoria pro Nordeste 
Mostrando pros governantes 
A seca, a fome e a peste 
Que muito maltrata o povo 
De todo sertão agreste. 

No seu canto interpretou 
O profundo sentimento 
Da alma do sertanejo 
Que sofre a todo o momento 
No Nordeste que retrata 
O mais cruel sofrimento. 

Quando seu Luiz cantava 
Simbolizava o vaqueiro 
Seu aboio e seu gemido 
Invadiam o tabuleiro 
Desta forma ele exaltava 
O Nordeste brasileiro. 



Certamente o velho "Lua" 
O mestre Rei do Baião 
Já se encontra com seu pai 
Lá em outra dimensão 
Aquele que lhe ensinou 
Tão honrosa profissão. 


Este pequeno folheto 
É somente uma mostragem 
Daquele que foi em vida 
Nosso maior personagem 
Que o povo guardará 
Para sempre a sua imagem.


Termino aqui esta história 
Com o coração enlutado 
Escrita no mesmo dia 
Que Luiz ouviu chamado 
Pra morar na Santa Casa 
Por Deus sendo abençoado.

                      Guaipuan Vieira






















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