
Nosso Pajeú já foi
Razão pra muito estudo
Mas quem de tudo já fez
Ainda não fez de tudo
E como sei de um pouco
Com pouco sei que ajudo
Com toda inspiração
Que me traz este lugar
Versifico o que aprendo
Trato de multiplicar
Boto tudo em cordel
E depois solto no ar
Eu falo neste folheto
D'um pedaço deste chão
Ofertando a história
Minha contribuição
Unindo-se a tantos outros
Que o fazem de coração
Afogados da Ingazeira
É o tema desta jornada
Cidade cheia de encantos
Do amor originada
Pelo amor protegida
Com amor edificada
Seu nome se deve a
Um casal de namorados
Que no Rio Pajeú
Faleceram afogados
Juntos sumiram nas águas
Juntos foram encontrados
O amor não mensurou
Os riscos da brincadeira
Não imaginaram os dois
Um fim daquela maneira
Serem encontrados mortos
Aos pés d'uma ingazeira
São as raízes da planta
Raízes da amizade
Os afogados são vida
Fontes da fraternidade
E o amor precursor
Da história da cidade
Neste tempo ainda era
Pouca a povoação
Mas uma enorme fazenda
Demarcava a região
Fazenda Misericórdia
O nome deste quinhão
Por ocasião da morte
Do casal aqui relida
Também Barra da Passagem
Foi chamada em seguida
Ficando assim a fazenda
Por dois nomes conhecida
Foi o dono destas terras
O português Manoel
Francisco Ferreira da Silva
Respeitado coronel
Que logo mostrou-se ser
À igreja bem fiel
Na frente da residência
Construiu uma capela
E Bom Jesus dos Remédios
indicou protetor dela
Convocando a redondeza
Para só orarem nela
O ato eternizou-se
Por tamanha altivez
Ficando Manoel lembrado
Pela construção que fez
No século XIX
No ano de 36
Em torno de sua obra
E sua generosidade
Famílias se reuniram
Em profunda irmandade
Dando origem à vila
Que se tornaria cidade
Assim se desenvolveu
Um povo em devoção
Fecundando novas vidas
Rodeados de produção
Das serras da Carapuça
Colônia e Conceição
Não se demorou muito
E casas fizeram fila
Vila de Misericórdia
Foi seu nome como vila
Passagem dos Afogados
A chamavam sem feri-la
Antes do século XX
Chegou pela vez primeira
Um capelão pro ligar
O Padre Pedro Pereira
Que ali morou, mas regia
A Matriz da Ingazeira
É que a vila pertenceu
A Flores primeiramente
Só depois a Ingazeira
Que foi cidade na frente
Só alcançando mais tarde
Seu posto independente
1909
Foi o ano do orgulho
A lei governamental
Decretava o barulho
A vila virou cidade
No dia 1° de julho
Afogados da Ingazeira
Foi sua denominação
O amor dos afogados
É fogo em expansão
E as raízes da ingazeira
Prendem seus filhos ao chão
1910
Outro ano a ser lembrado
Afogados recebia
Um construtor dedicado
O Padre Carlos Cottart
Um arquiteto formado
Consumido pela chama
Do amor que ali povoa
Padre Carlos, um francês
Dedicou dua alma boa
À construção da cidade
Onde a beleza ecoa
Com um ano de chegado
Padre Carlos pôs de pé
A meta de construção
Da igreja que hoje é
Por certo um dos mais belos
De todos os templos da fé
Foi bem além da igreja
A sua preocupação
Investiu no Paisagismo
E na urbanização
Contemplando a cidade
Com boa arborização
Por um tempo ausentou-se
A Pesqueira enviado
Voltando logo depois
Pra concluir seu legado
Mas morreu em 25
Sendo para sempre lembrado
Outro bravo progressista
De empenho exemplar
Também surgiu na igreja
Mas nascido no lugar
Monsenhor Arruda Câmara
Afogadense sem par
Doutor em Teologia
Deputado Federal
Decisivo lutador
Pelo Colégio Normal
Correios e Diocese
Ferrovia a hospital
Ainda outras conquistas
São a ele atribuídas
Foram muitos aos seus méritos
Suas passadas são seguidas
muito homenagens são
Ao Monsenhor dirigidas
A mais representativa
É referência inconteste
A Praça Arruda Câmara
De encanto se reveste
E a cada nova reforma
Com mais beleza se veste
Diógenes Arruda Câmara
Outro nome destacado
Deputado federal
Por São Paulo, o estado
Sobrinho do Monsenhor
E engenheiro formado
Foi Diógenes Arruda
Comunista obstinado
Por buscar suas ideias
Foi preso e exilado
Por mais de uma vez
Brutalmente torturado
Jorge Amado dedica
Expondo sinceridade
Seu grande livro "Subterrâneos
da Liberdade"
A Diógenes Arruda
Por sua tenacidade
Personagens do passado
Em citar vejo razão
Renomado escritor
Renomado escritor
E maçom por convicção
Poeta e acadêmico
Senhor Manoel Arão
Foi este afogadense
Da crítica companhia
Visto como visionário
Membro da Academia
Pernambucana de Letras
Marco da Maçonaria
Outro nome que é de
Destaque merecedor
É o de Valdecy Menezes
Poeta declamador
Professor, radialista
Ator e vereador
Por Dom Mota Convidado
Pra uma rádio comandar
Entregou-se à cidade
Sem a nada abdicar
Tornando-se referência
Para todos do lugar
Assim Valdecy foi quem
Fez de Afogados o hino
Com Dinamérico Lopes
O famoso Mestre Dino
E da Rádio Pajeú
Planejou todo destino
É a Rádio Pajeú
A Valdecy muito grata
A história da cidade
Sem ele não se retrata
Foi o maior afogadense
Vindo da zona da mata
Alguns nomes são lembrados
Por terem sido o primeiro
Alfredo Ferraz prefeito
Mané Genésio barbeiro
Osvaldo Gouveia, o médico
E Nego Bidó carteiro
Irmão de Padre Antonio
Foi Cristóvão advogado
Josué, o farmacêutico
De Monteiro originado
Miguel Queiroz Diningué
O cartorário afamado
Alfaiate foi Romão
Chico Bode retratista
Professora foi Aurora
Vidinho contabilista
Antonio Tota, o técnico
E Aloísio, o dentista
Enfermeiras Ana Nery
Vieram da capital
Maria, Olga e Olívia
Um trio sensacional
No comércio foi Tomaz
E Maroca Amaral
Flandando sobre o comércio
Fica completo o enredo
Seu Cazuzinha Travassos
Antonio César Macedo
Fregueses da marinete
Carro de Mestre Alfredo
Transportes não existiam
Muitos como hoje são
Louvava-se a marinete
A única lotação
De Sertânia pra Tabira
"Interligando o sertão"
Vale a pena lembrar
Seu Seba eletricista
Dagmar o veterinário
E Zé Gago motorista
Falando em sapateiro
Manoel Lopes na lista
As referências passadas
Formam uma relação rica
Perna de pau engraxate
No gelado João de Chica
E a maestra do sabor
Cozinheira Dona Lica
Futebol se praticou
Com muita maestria
Ferroviário um ás
Entre tudo que se via
E BAC contra Guarani
Muita gente reunia
Também no cangaceirismo
Afogados tem seu traço
Por ser berço de alguns
Personagens do cangaço
Antonio Silvino foi
Nascido neste pedaço
Também Tenente Bezerra
Foi gerado neste chão
Polícia em Alagoas
Mas filho deste torrão
Reconhecido por ser
O algoz de Lampião
Sobre a Rádio Pajeú
O título é soberano
Pois foi a mesma fundada
Em 59 o ano
Sendo assim pioneira
No sertão pernambucano
Dom Mota, Padre Antonio
Foram sócios fundadores
Junto com Helvécio Lima
Terceiro entre os atores
Sociedade composta
E um futuro de louvores
A agência dos Correios
Outra exclusividade
No ano 73
Entrou em atividade
Mas do século trasado
Quando vila, a cidade
História também tem o
Palácio Episcopal
Foi residência e hotel
Escola e Hospital
E ainda foi sede do
Governo Municipal
Se tratando de história
O cinema também é
Valoroso patrimônio
Que se mantém em pé
Primeiro foi Pajeú
Depois Cine São José
Por Helvécio Lima foi
O cine idealizado
No ano 42
Do século passado
O primeiro filme foi
Ao povo apresentado
Na década de 50
Uma conquista altaneira
Foi o Aero Clube de
Afogados da Ingazeira
Nome adequado à
Aviação brasileira
Aviões nacionais
Era por vezes doados
E os lugares que tivessem
Aero Clubes montados
Podiam com avião
Virem a ser contemplados
Mas logo o ACAI
Virou concentração
Realizando as festas
Melhores da região
Fazendo do carnaval
Sua maior tradição
Se tratando de sertão
Afogados tem uma glória
A Barragem de Brotas
Todos trazem na memória
Foi aquela grande obra
Um divisor da história
É uma represa perene
Para o abastecimento
Foi a mola propulsora
Para o desenvolvimento
E tem beleza turística
Que produz encantamento
Brotas começou no ano
De 11 ser estudada
Depois de muitos entraves
De muita luta travada
No ano 76
Foi ela inaugurada
Por tudo que já foi dito
Dá pra se imaginar
O quanto há gente feliz
Quanto é bom este lugar
Sua gente, sua natureza
São ambos de conquistar
Vou assim encerrando
Esta minha tentativa
De exaltar Afogados
De uma forma criativa
Esperando seja ela
Vista como positiva
Aqui deve haver erro
Engano ou omissão
Mas história é assim
Tem mais de uma versão
Só não erra quem não age
Vale mais a intenção
Peço aos interessados
Que procurem outras fontes
Obras sobre Afogados
São encontradas aos montes
Para com novas pesquisas
Construirmos novas pontes
Aos colegas escritores
Eu retiro meu chapéu
Sempre indico suas obras
E nisto eu sou fiel
Se gostarem do que viram
Indiquem o meu cordel
Alexandre Morais
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