quinta-feira, 12 de abril de 2012

Afogados da Ingazeira, uma cidade que nasceu do amor.












Nosso Pajeú já foi


Razão pra muito estudo


Mas quem de tudo já fez


Ainda não fez de tudo


E como sei de um pouco


Com pouco sei que ajudo






Com toda inspiração


Que me traz este lugar


Versifico o que aprendo


Trato de multiplicar


Boto tudo em cordel


E depois solto no ar






Eu falo neste folheto


D'um pedaço deste chão


Ofertando a história


Minha contribuição


Unindo-se a tantos outros


Que o fazem de coração






Afogados da Ingazeira


É o tema desta jornada


Cidade cheia de encantos


Do amor originada


Pelo amor protegida


Com amor edificada






Seu nome se deve a


Um casal de namorados


Que no Rio Pajeú


Faleceram afogados


Juntos sumiram nas águas


Juntos foram encontrados






O amor não mensurou


Os riscos da brincadeira


Não imaginaram os dois


Um fim daquela maneira


Serem encontrados mortos


Aos pés d'uma ingazeira






São as raízes da planta


Raízes da amizade


Os afogados são vida


Fontes da fraternidade


E o amor precursor


Da história da cidade






Neste tempo ainda era


Pouca a povoação


Mas uma enorme fazenda


Demarcava a região


Fazenda Misericórdia


O nome deste quinhão






Por ocasião da morte


Do casal aqui relida


Também Barra da Passagem


Foi chamada em seguida


Ficando assim a fazenda


Por dois nomes conhecida






Foi o dono destas terras


O português Manoel


Francisco Ferreira da Silva


Respeitado coronel


Que logo mostrou-se ser


À igreja bem fiel






Na frente da residência


Construiu uma capela


E Bom Jesus dos Remédios


indicou protetor dela


Convocando a redondeza


Para só orarem nela






O ato eternizou-se


Por tamanha altivez


Ficando Manoel lembrado


Pela construção que fez


No século XIX


No ano de 36






Em torno de sua obra


E sua generosidade


Famílias se reuniram


Em profunda irmandade


Dando origem à vila


Que se tornaria cidade






Assim se desenvolveu


Um povo em devoção


Fecundando novas vidas


Rodeados de produção


Das serras da Carapuça


Colônia e Conceição






Não se demorou muito


E casas fizeram fila


Vila de Misericórdia


Foi seu nome como vila


Passagem dos Afogados


A chamavam sem feri-la






Antes do século XX


Chegou pela vez primeira


Um capelão pro ligar


O Padre Pedro Pereira


Que ali morou, mas regia


A Matriz da Ingazeira






É que a vila pertenceu


A Flores primeiramente


Só depois a Ingazeira


Que foi cidade na frente


Só alcançando mais tarde


Seu posto independente






1909


Foi o ano do orgulho


A lei governamental


Decretava o barulho


A vila virou cidade


No dia 1° de julho






Afogados da Ingazeira


Foi sua denominação


O amor dos afogados


É fogo em expansão


E as raízes da ingazeira


Prendem seus filhos ao chão






1910


Outro ano a ser lembrado


Afogados recebia


Um construtor dedicado


O Padre Carlos Cottart


Um arquiteto formado






Consumido pela chama


Do amor que ali povoa


Padre Carlos, um francês


Dedicou dua alma boa


À construção da cidade


Onde a beleza ecoa






Com um ano de chegado


Padre Carlos pôs de pé


A meta de construção


Da igreja que hoje é


Por certo um dos mais belos


De todos os templos da fé






Foi bem além da igreja


A sua preocupação


Investiu no Paisagismo


E na urbanização


Contemplando a cidade


Com boa arborização






Por um tempo ausentou-se


A Pesqueira enviado


Voltando logo depois


Pra concluir seu legado


Mas morreu em 25


Sendo para sempre lembrado






Outro bravo progressista


De empenho exemplar


Também surgiu na igreja


Mas nascido no lugar


Monsenhor Arruda Câmara


Afogadense sem par






Doutor em Teologia


Deputado Federal


Decisivo lutador


Pelo Colégio Normal


Correios e Diocese


Ferrovia a hospital






Ainda outras conquistas


São a ele atribuídas


Foram muitos aos seus méritos


Suas passadas são seguidas


muito homenagens são


Ao Monsenhor dirigidas






A mais representativa


É referência inconteste


A Praça Arruda Câmara


De encanto se reveste


E a cada nova reforma


Com mais beleza se veste






Diógenes Arruda Câmara


Outro nome destacado


Deputado federal


Por São Paulo, o estado


Sobrinho do Monsenhor


E engenheiro formado






Foi Diógenes Arruda


Comunista obstinado


Por buscar suas ideias


Foi preso e exilado


Por mais de uma vez


Brutalmente torturado






Jorge Amado dedica


Expondo sinceridade


Seu grande livro "Subterrâneos


da Liberdade"


A Diógenes Arruda


Por sua tenacidade






Personagens do passado


Em citar vejo razão


Renomado escritor


Renomado escritor


E maçom por convicção


Poeta e acadêmico


Senhor Manoel Arão






Foi este afogadense


Da crítica companhia


Visto como visionário


Membro da Academia


Pernambucana de Letras


Marco da Maçonaria






Outro nome que é de


Destaque merecedor


É o de Valdecy Menezes


Poeta declamador


Professor, radialista


Ator e vereador






Por Dom Mota Convidado


Pra uma rádio comandar


Entregou-se à cidade


Sem a nada abdicar


Tornando-se referência


Para todos do lugar






Assim Valdecy foi quem


Fez de Afogados o hino


Com Dinamérico Lopes


O famoso Mestre Dino


E da Rádio Pajeú


Planejou todo destino






É a Rádio Pajeú


A Valdecy muito grata


A história da cidade


Sem ele não se retrata


Foi o maior afogadense


Vindo da zona da mata






Alguns nomes são lembrados


Por terem sido o primeiro


Alfredo Ferraz prefeito


Mané Genésio barbeiro


Osvaldo Gouveia, o médico


E Nego Bidó carteiro






Irmão de Padre Antonio


Foi Cristóvão advogado


Josué, o farmacêutico


De Monteiro originado


Miguel Queiroz Diningué


O cartorário afamado






Alfaiate foi Romão


Chico Bode retratista


Professora foi Aurora


Vidinho contabilista


Antonio Tota, o técnico


E Aloísio, o dentista






Enfermeiras Ana Nery


Vieram da capital


Maria, Olga e Olívia


Um trio sensacional


No comércio foi Tomaz


E Maroca Amaral






Flandando sobre o comércio


Fica completo o enredo


Seu Cazuzinha Travassos


Antonio César Macedo


Fregueses da marinete


Carro de Mestre Alfredo






Transportes não existiam


Muitos como hoje são


Louvava-se a marinete


A única lotação


De Sertânia pra Tabira


"Interligando o sertão"






Vale a pena lembrar


Seu Seba eletricista


Dagmar o veterinário


E Zé Gago motorista


Falando em sapateiro


Manoel Lopes na lista




As referências passadas

Formam uma relação rica

Perna de pau engraxate

No gelado João de Chica

E a maestra do sabor

Cozinheira Dona Lica




Futebol se praticou

Com muita maestria

Ferroviário um ás

Entre tudo que se via

E BAC contra Guarani

Muita gente reunia




Também no cangaceirismo

Afogados tem seu traço

Por ser berço de alguns

Personagens do cangaço

Antonio Silvino foi

Nascido neste pedaço




Também Tenente Bezerra

Foi gerado neste chão

Polícia em Alagoas

Mas filho deste torrão

Reconhecido por ser

O algoz de Lampião




Sobre a Rádio Pajeú

O título é soberano

Pois foi a mesma fundada

Em 59 o ano

Sendo assim pioneira

No sertão pernambucano




Dom Mota, Padre Antonio

Foram sócios fundadores

Junto com Helvécio Lima

Terceiro entre os atores

Sociedade composta

E um futuro de louvores




A agência dos Correios

Outra exclusividade

No ano 73

Entrou em atividade

Mas do século trasado

Quando vila, a cidade




História também tem o

Palácio Episcopal

Foi residência e hotel

Escola e Hospital

E ainda foi sede do

Governo Municipal




Se tratando de história

O cinema também é

Valoroso patrimônio

Que se mantém em pé

Primeiro foi Pajeú

Depois Cine São José




Por Helvécio Lima foi

O cine idealizado

No ano 42

Do século passado

O primeiro filme foi

Ao povo apresentado




Na década de 50

Uma conquista altaneira

Foi o Aero Clube de

Afogados da Ingazeira

Nome adequado à

Aviação brasileira




Aviões nacionais

Era por vezes doados

E os lugares que tivessem

Aero Clubes montados

Podiam com avião

Virem a ser contemplados




Mas logo o ACAI

Virou concentração

Realizando as festas

Melhores da região

Fazendo do carnaval

Sua maior tradição




Se tratando de sertão

Afogados tem uma glória

A Barragem de Brotas

Todos trazem na memória

Foi aquela grande obra

Um divisor da história




É uma represa perene

Para o abastecimento

Foi a mola propulsora

Para o desenvolvimento

E tem beleza turística

Que produz encantamento




Brotas começou no ano

De 11 ser estudada

Depois de muitos entraves

De muita luta travada

No ano 76

Foi ela inaugurada




Por tudo que já foi dito

Dá pra se imaginar

O quanto há gente feliz

Quanto é bom este lugar

Sua gente, sua natureza

São ambos de conquistar




Vou assim encerrando

Esta minha tentativa

De exaltar Afogados

De uma forma criativa

Esperando seja ela

Vista como positiva




Aqui deve haver erro

Engano ou omissão

Mas história é assim

Tem mais de uma versão

Só não erra quem não age

Vale mais a intenção




Peço aos interessados

Que procurem outras fontes

Obras sobre Afogados

São encontradas aos montes

Para com novas pesquisas

Construirmos novas pontes




Aos colegas escritores

Eu retiro meu chapéu

Sempre indico suas obras

E nisto eu sou fiel

Se gostarem do que viram

Indiquem o meu cordel




Alexandre Morais

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